Burlesco: Tudo que você precisa saber sobre a arte da burla

Atualizado: 8 de fev. de 2021

Muito mais que plumas, espartilhos e paetês, Burlesco busca a quebra do dito senso comum através da expressão artística, unindo elementos visuais, humor, crítica, strip-tease, teatralidade, música e sensualidade.


Para um olhar desatento ou uma mente simplista, corpos desnudos num palco podem passar por pura exposição. Se você já viu um ato burlesco e teve essa percepção, olhe de novo.

O corpo no burlesco é político. Através dele são contadas histórias, disputadas narrativas que se contrapõem ao padrão normativo social, seja pela graça, seja pelo grotesco. No fim, o conservadorismo é desnudo após muito se debochar dele, inundando o público de provocação.


Mas você sabe de onde veio o Burlesco?


O termo burlesco foi usado pela primeira vez na literatura, no século XVII, na França, para designar obras que tratavam de maneira vulgar hábitos da nobreza, ou vice-versa. Entrou no teatro carregando esse tom da literatura, através de peças clandestinas e marginais que faziam burla de nobres personagens, ou enobreciam personagens populares no intuito de causar graça. Influenciou todo o tipo de teatro popular na Europa e América, incluindo o Vaudeville, a Commedia Dell'Arte, o Teatro de variedades e o Teatro de Revista – este, muito disseminado no Brasil.


O burlesco espalhou-se por vários países, por volta do século XIX, tanto para o Brasil (especialmente nas revistas), quanto para os Estados Unidos (em vaudevilles e teatro de variedades). Nos EUA foi muito disseminado em NY e conquistou platéias de trabalhadores braçais pela ousadia de seus espetáculos onde as atrizes mostravam as canelas, usavam decotes, vestiam-se de homem, contavam piadas sujas, mexiam com a platéia. Um trabalho realizado principalmente por mulheres, que utilizavam mais livremente seus corpos, com uma finalidade política: a afirmação de valores próprios, baseados na crítica à não participação feminina na sociedade.


No início do século XX, ganhou números de strip-tease através das apresentações de Gypsy Rose Lee, rainha do burlesco na época. Gypsy traz o texto para a performance feminina, dando voz às mulheres e uma maior teatralidade para essas apresentações.

Os leques de pluma, elementos de destaque no burlesco clássico, são trazidos por Sally Rand e Jean Idelle. Assim, o burlesco viveu seu auge dos anos 20 aos anos 50. Na década de 60, já confundido com o erotismo explícito, praticamente desapareceu.


Na década de 90, voltou a emergir do underground de NY, em oposição a medidas repressivas do governo em exercício na época, misturando elementos de outras artes, assumindo pra si pautas sociais, de diversidade de corpos, cor e sexualidade, perdurando até os dias de hoje.


No Brasil hoje, temos um burlesco decolonial, antropofágico e carnavalizado, político e questionador de identidades, que utiliza a burla como estratégia e política de criação, valorizando raízes ancestrais e populares. Não apenas uma arte performática, o burlesco é um modo de vida crescente, desbundante, revolucionário e cheio de entusiasmo.


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